Como perdoar?

Hoje, Dia de Finados (02), é tradição na Filosofia Vídya a realização do Ritual do Perdão e dos Antepassados. Para incentivar a reflexão sobre o tema, compartilhamos abaixo o texto na íntegra da matéria de capa da revista VIDYA NEWS, edição 03. Leia e inspire-se a praticar este preceito básico para a evolução espiritual que é o perdão.


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A vida é assim: nós, tolos humanos, insistimos em cometer um erro atrás do outro enquanto buscamos incessantemente a perfeição. Do mesmo modo em que estamos sujeitos a falhas, o outro também está. Porém, nem sempre nos lembramos disso quando a mágoa nos acomete. E passamos a atribuir a capacidade de perdoar a um poder maior, além de nossos limites.


Mas, se errar é humano, por que seria o perdão divino? Somos totalmente capazes de perdoar; aliás, desenvolver essa nobre virtude é um dever de todos nós. “Há milênios, os grandes mestres nos ensinam o perdão. Este é considerado um atributo do herói, que tem a oportunidade de vingar as injustiças feitas a ele, mas escolhe a autoanulação, perdoando o ofensor e esquecendo o mal. Somente o forte pode perdoar, nunca o fraco”, ensina a Mestra e médica, dra. Glaucia Barros (Mestra Kandhara Yashmir).


Etimologia: a origem é a instrução

Do latim “perdonare” (per=completamente; donare=doar), o perdão nada mais é do que doar-se por inteiro. Em sânscrito, a expressão “Kshama” abrange um significado ainda mais amplo: “tolerância, paciência, compreensão e perdão”. Não à toa, a tradução segue sua lógica. "Para perdoar verdadeiramente, o primeiro passo é tolerar. Isso não significa aguentar o outro ou a situação. Tolerar é a aceitação do outro ou daquilo que aconteceu. Depois, é necessário trabalhar a paciência e, para isso, é essencial desenvolver empatia. Na sequência, é preciso compreender o outro e a si mesmo. Todo este processo não é simples e requer um coração voltado para o próximo, e não apenas para si. Somente assim, seguindo esta ordem, o perdão será eduzido de seu íntimo”, afirma a Mestra Ana Cristina Monteiro (Mestra Gita Satyanarayána).


Há, ainda, um outro ponto essencial para desenvolver esta virtude com plenitude: perdoar a si mesmo. Segundo a Mestra Kandhara, “enquanto o ser humano tem autodesprezo, não é capaz de perdoar os outros, porque somos um reflexo de nós mesmos. Uma nova força é liberada para um futuro saudável quando se perdoa a si mesmo”.


As consequências de acumular ressentimentos

A incapacidade de perdoar permite que a mágoa e o ressentimento nos transformem em alguém amargo e depressivo. Esses sentimentos negativos, acumulados e não resolvidos, são tão nocivos que, à longo prazo, podem provocar sérias doenças. O Mestre e médico, dr. Francisco Barros (Mestre Prakash Narendra), afirma que “a mágoa e o rancor afetam o sistema imunológico e diminuem a ação de células de defesa do corpo. Isso pode levar a várias doenças, como o câncer, em que o organismo tem sua imunidade reduzida a ponto de gerar células defeituosas (cancerosas)”.


Em contrapartida, o Mestre explica que “aquele que desenvolve a capacidade de perdoar tem um corpo mais puro e forte, pois o processo do perdão gera grande força de pensamento positivo. Por sua vez, isso provoca uma série de reações emocionais e mentais que afetam a produção de substâncias químicas indutoras de bem-estar, sentimentos de felicidade e de realização que, comprovadamente, estimulam o sistema imunológico a aumentar as defesas do organismo”.


De você para você mesmo

Se foi o outro quem lhe fez mal, por que é o seu corpo que sente as consequências? Cabe ao ofendido o exercício de Kshama, desenvolvendo tolerância, paciência, compreensão e, finalmente, libertando-se por meio do perdão. Este é um processo íntimo, individual e interno, imprescindível para o aprimoramento espiritual de todos nós.


Perdoar não depende de ninguém, apenas de nós mesmos. “O verdadeiro perdão é reconhecido pelos atos, e não pelas palavras. É o esquecimento completo e absoluto das ofensas que vêm do coração; é franco, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes e tampouco é motivado por orgulho ou ostentação”, explica a Mestra Kandhara.


A médica ainda pontua que o maior benefício de Kshama é desenvolver equilíbrio na vida e pondera que “a prática de tolerância, paciência, compreensão e perdão leva à serenidade, promove alegria e felicidade de uma forma neutra, e dá coragem para enfrentar os desafios da vida”. Para chegar lá, ela ensina que o primeiro passo é “fazer uma determinação e mantê-la. Devemos acreditar que tudo o que acontece na vida é para o bem e aprendizado, para nossa evolução espiritual. O objetivo final é a iluminação da consciência”.


O caminho de Kshama

Perdoar verdadeiramente demanda persistência e prática. Nesta trajetória, seguir os passos de Kshama é fundamental:


- Tolerância: aceite que todos os acontecimentos da vida são bons e propositais. Tudo o que acontece é para nosso aprendizado e evolução espiritual – tanto os méritos quanto os sofrimentos.

- Paciência: use o máximo de ferramentas possível para desenvolver humildade e aceitação, como a meditação, pránáyámas, ásanas, kriyas (técnicas purificadoras), mantras e a prática de ações desinteressadas (Karma Yoga). Aceite que você também erra e não é perfeito.

- Compreensão: acolha os sofrimentos de sua vida e agradeça por eles. Deixe de se colocar em papel de vítima e busque enxergar a situação de fora.

- Perdão: livre-se de julgamentos, da mágoa, do orgulho e da culpa. Doe, verdadeiramente, sua bondade e compaixão.


“A solução de todos os nossos problemas está dentro de nós mesmos. Faça meditação e busque o silêncio interior da sua mente. Aí, você encontrará a paz.”

(Mestre Uberto Gama)


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Para entender melhor sobre o processo do perdão como um Código de Ética social da Cultura Hindu, assista a um trecho da aula da Mestra Kandhara sobre o tema e leia o post completo.


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