Opinião | Fofoca, calúnia e difamação: como se defender de inverdades

O meu amigo e psiquiatra, Dr. José Ângelo Gaiarsa (in memorian) falava que fofoca é uma doença da alma e que se propagou muito nos países latinos, sobretudo em cidades e municípios mais provincianos ou do interior.


O tema já é estudo de caso e está se tornando uma doença social. A fofoca ou bisbilhotice é a conversa furada ou bullshit. Infelizmente, algumas pessoas que se julgam imunes à fofoca já estão carregando o vírus consigo mesmas.


Falar dos outros, fazer mexerico, futrica ou comentários maldosos pode ser perigoso. Da fofoca passamos a contar um conto e aumentar um pouco. E. com isso, geramos então a intriga. A intriga é a irmã mais próxima da fofoca. Ela, por sua vez, gera a discórdia e pode conduzir à uma comoção e a um motim.


Mas não para aí. Logo após a intriga, passamos para a calúnia e a difamação – que, ao lado da injúria, classificam-se como crimes sujeitos a cadeia pelo nosso código penal (calúnia, no art. 138; a difamação, no art. 139, e injúria, no art. 140).


A calúnia é uma mentira, uma invencionice cujo objetivo é ofender a honra de alguém, de uma pessoa física ou jurídica. Inclusive, juridicamente é uma acusação falsa contra outrem, e que, definida como ato de má fé, pode vir a configurar-se como crime. Já a difamação é a acusação que vai contra a reputação de alguém. Enquanto a injúria é a ação ofensiva, o insulto que prejudica a dignidade alheia.


Assim, há muita gente desequilibrada e ruim, conhecidas como “língua-preta”, que salivam gotas de seu veneno e maledicência para quem estiver em seu entorno.


Mas essa balbúrdia se reproduz quando a curiosidade humana é estimulada. E estes calhordas são bons nisso. A curiosidade humana é o desejo descontrolado de saber sobre a vida do outro. Há até programas de televisão que exploram este aspecto, colocando câmeras em uma casa para acompanhar o comportamento dos seus membros apenas para satisfazer o desejo do público. Um absurdo!


Estes “línguas-pretas” continuam espalhar seu veneno, de tempos em tempos, e sempre alguma pessoa desavisada, um homem ou mulher que goste de fofoca, torna-se um alvo fácil destes malfeitores – e pronto. Está feito o contágio.


Quem dá ouvidos a falsas declarações, a conversas furadas ou à insensatez de algum patife – que não mostra sua cara – não está isento de responsabilidade civil ou criminal.


A fofoca nem sempre é criada pelos inimigos – pelo contrário. Quem mais produz falatórios e alcovitices são os mais próximos. Pessoas muitas vezes bem-intencionadas, entretanto, mal-educadas ou até mesmo mal-informadas, distraídas ou imaginativas. São estes que contribuem mais para a profusão destas delirantes notícias.


O que sugerimos ao leitor é que busque sempre falar sobre coisas boas, educacionais, sobre cultura e filosofia, em vez de permitir que “seu ouvido seja um penico”. Pessoas cultas e educadas têm muito mais do que tratar além da vida alheia. Ademais, quem faz fofoca e intriga é covarde. E quem calunia e difama é criminoso!


Mas a fofoca ou a intriga são propositais?


Bem, nem sempre. Muita gente faz e está envolvida com isso sem se aperceber. Seus parentes, amigos, vizinhos. Às vezes o próprio irmão ou a cunhada. A maledicência contra nós não funciona. Dá um pouco de trabalho, mas nunca nos afeta essencialmente.


Entretanto, os invejosos, os frustrados, os mal-amados e aqueles indivíduos sem nenhum pingo de essência moral e sem caráter virtuoso atacam, mas nunca se identificam. São covardes.


Amigo e inimigo são os dois lados de uma mesma moeda. São o yin e o yang, polos negativo e positivo. Para uma semente germinar, ela precisa primeiro crescer para baixo (yin) e, depois que enraizar e tiver forças, subirá seu caule, romperá a terra em direção ao sol (yang). Os amigos sempre nos fazem crescer para cima para termos um lugar ao sol. Os inimigos nos fazem crescer para baixo para conquistarmos mais raízes, mais força e disposição para crescer.


Lembre-se:

“Quem nunca teve um bom amigo, nunca desabrochou.

Quem nunca teve um bom inimigo, nunca deslanchou.”


Até a próxima.


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(*) O Prof. Uberto A. A. da Gama é teólogo, filósofo, psicanalista e tem Doutorado Honoris Causa pela Logos International University em Psychology.

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